14 de agosto de 2016

Trabalho e Gênero (Homens trabalham mais que mulheres?)

Trabalho e Gênero (Placcido)

Você dever ter lido por algum veículo de notícias, que o atual Ministro da Saúde, Ricardo Barros do PP, falou que homens vão menos ao médico, por que Eles trabalham mais que as mulheres, e que isso dificulta na promoção de saúde preventiva, leia na integra a frase do Ministro:

"Eu acredito que é uma questão de hábito. Os homens trabalham mais, são os provedores da maioria das famílias e não acham tempo para a saúde preventiva. Isso precisa ser modificado. Nós queremos capturá-los para fazer os exames e cuidar da saúde. A meta destes guias é fazer que nossos servidores orientem os homens, que normalmente estão fora trabalhando".

É óbvio que isso não passa de senso comum, que está relacionado a cultura machista que ainda percebemos no Brasil. Vamos pensar um pouco?

Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho): homens trabalham, em média, 43,4hs por semana no mercado de trabalho e outras 9,5hs em sua casa, somando uma jornada semanal de 52,9hs. Ao mesmo tempo, as mulheres têm uma jornada total de 58hs semanais, sendo 36hs no mercado formal de trabalho e 22hs em casa. Esses dados são de 2009. (Fontes ao final do post).

A jornada dupla de trabalho é muito comum para mulheres, chegar em casa e ter que cuidar de filhos, ou preparar a janta para o marido, até se der tempo dar uma arrumadinha na casa, é algo cotidiano, e que você constata em muitos lares brasileiros.

Segundo Sonia Coelho integrante da SOF (Sempreviva Organização Feminista): “As mulheres estão ocupando cada vez mais o mercado de trabalho, mas a sociedade ainda funciona como se todas as mulheres fossem donas de casa simplesmente, com tempo integral em casa. As mulheres continuam fazendo a maior parte do trabalho doméstico, do cuidado das crianças, dos idosos etc.”.

Será que o Ministro não considera trabalho doméstico como “trabalho”?

É interessante que você perceba que não estamos falando que homens não sofrem ou que trabalham pouco, pelo contrário, graças a essa cultura machista, nós homens somos praticamente obrigados a apresentar respostas a vários contratos sociais, como por exemplo, essa ideia de que somos os “provedores da casa” da qual o Ministro falou, esse fator pode gerar muito sofrimento aos homens, como casos de depressão, e até casos de suicídio.  

No entanto, não, não trabalhamos mais que as mulheres, mas de onde nosso Ministro tirou isso?

Para começar temos a mania de relacionar o hospital com lugares de gente “fraca”, isso mesmo, achamos que por sermos homens, somos mais fortes, somos menos vulneráveis em certo ponto, e que hospital é lugar de criança ou de idosos, o que obviamente não é verdade, se unirmos isso ao fator que mulheres são desde criança mais incentivadas a irem ao médico, essa discrepância de procura aos hospitais só aumenta.

Outro problema, essa idealização pensada de que somos mais fortes, e uma carga enorme de histórico machista na nossa sociedade, faz com que políticas públicas voltadas aos homens sejam praticamente inexistentes. Uma pesquisa realizada pelo centro de Pesquisa de Saúde do Homem, indica que mais de 50% dos homens só procuram o médico quando já estão com as doenças em casos avançados, o que é um reflexo desse amontoado de fatores.

(Parágrafo aquém: pare de achar que se apoiarmos um grupo social, seja qual for, estamos querendo diminuir ou desvalorizar o outro, entenda que se apoiarmos a inclusão de mulheres na Política, por exemplo, não quer dizer que estamos querendo tirar todos os homens de lá, ou que queremos que as mulheres sejam maioria, também não ache que se apoiamos pautas LGBT's, queremos acabar com os héteros. Essas ideias dualistas além de absurdas, só tendem a causar mais ódio entre esses grupos, ou seja, de forma simples, o que se procura é apenas igualdade de direitos. Blz?).

E o que fazer? Devemos incentivar todos a irem aos médicos, isso é simples, é uma questão de saúde de pública, então já acostume seu filho a importância de exames periódicos. Políticas públicas voltadas para os homens também precisam de mais atenção, e claro, temos que ser mais espertos, deixar esse talvez “orgulho” de lado e irmos nos cuidar. 

Mais informações:
Imagem de: República Já