9 de janeiro de 2016

Meritocracia (Um problema disfarçado)

Meritocracia (Placcido)

Então pessoas, eu tentei, tentei, tentei, mas não resisti, escrevi esse texto principalmente para as pessoas que insistem em apoiar de alguma forma a meritocracia no sistema educativo, cansei de tentar ficar explicando. Isso que vou exemplificar, se aplica há algumas outras situações, mas não em todas.

É importante que você entenda antes de tudo, a diferença entre igualdade e equidade. Simplificando, igualdade é o fato ou filosofia de direitos de oferecer de forma igual, os serviços, direitos ou qualquer coisa da sociedade, alguns entendem a igualdade como uma forma de justiça, diminuir as diferença entre as coisas, porém, temos um problema.

Esse é um exemplo simples para você entender o problema da igualdade: Imagine que você está num deserto com duas pessoas, você encontra uma garrafa d’água e pode dividir entre vocês três, justo seria ser um terço da água para cada um, correto? Não exatamente, por que você estaria ignorando muitas contingências, por exemplo, quem está há mais tempo no deserto, quem está com mais sede, quem tem mais idade, se alguém é criança, enfim... é exatamente aí que entra a equidade, uma forma de justiça que se considera as variantes do ambiente e do indivíduo levando em consideração a particularidade do sujeito, seria nesse exemplo dividir a água não igualmente, mas sim dando mais água para alguém, considerando essas variantes. (Tudo bem que esse exemplo é fraco, mas não consegui pensar em outro e acho que você entendeu).

E a meritocracia? Ela é, basicamente explicando, um sistema de classificação ou de hierarquia baseado no mérito, só que qual mérito?  Pois bem, a meritocracia sofre do mesmo problema desse conceito de igualdade utilizado, ela por si só, desconsidera as contingências do indivíduo e do ambiente. Vamos a mais um exemplo, vou usar dois garotos brancos caucasianos para você não achar que sou um esquedopata, poderia ser qualquer tipo de pessoa. Suponha então que esses dois garotos, caucasianos, loiros, altos... um é bem pobre e o outro é de classe média, esse garoto que é pobre, as vezes não estuda, vai trabalhar nas ruas para ajudar a mãe que é solteira e tem que sustentar a família, já o outro menino vai estudar todo dia, a mãe (também solteira) paga cursos para ele na parte da tarde, esses meninos crescem, ficam grandes, tipo He-man, e vão prestar vestibular para UNB (Universidade de Brasília), os dois estão fazendo a mesma prova, as mesmas questões, na mesma sala... imaginem então que aí o garoto da família de classe média passa no vestibular e o pobre não, você vai dizer simplesmente que ele mereceu passar por que estudou mais? E o outro garoto? Não estudou, é vagabundo?

O que acontece é que esse sistema tem um alcance para quem já é de classe média, é exatamente por isso que vejo na UNB principalmente o perfil de aluno de classe média, pois há uma imensa concorrência desleal. É então nesse momento que entram as cotas, mas isso é assunto para outro texto.

Mas, estou eu querendo acabar com a meritocracia? Obviamente que não, existem inúmeros ambientes e situações que considero a meritocracia como o ideal a ser usado, como o método cientifico que tanto apoio. Imaginem também se ao invés da meritocracia tivéssemos uma plutocracia, seria pior certo? Esse problema que citei, indica o problema desse método da meritocracia sistema educativo, problema esse que se aplica também em outros ambientes, como o do mercado de trabalho, mas também não significa que eu tenha ou saiba de um método melhor. Esse texto é meramente reflexivo.

Os new apoiadores da meritocracia distorcem a realidade, e por vezes nem sabendo como ela funciona, acham que todos estamos a pé de igualdade, quando isso obviamente não é verdade.

Mais informações:
Significados Br: Equidade
Significados: Igualdade
Canal Clarion de Laffalot: Meritocracia: Uma mentira convincente