23 de janeiro de 2016

Entre Abelhas (Dica de Filme)

Entre Abelhas (Placcido)

ATENÇÃO, SPOILERS!

Sem sombra de dúvidas, os filmes nacionais são incríveis quando o gênero dos mesmos é a comédia, eu não sou lá muito fã desse gênero, no entanto, reconheço que existem muitos de ótima qualidade. Mas estamos fadados a isso? Não, não estamos. Essa ótima obra de nome "Entre Abelhas" é mais um título excelente para mostrar que não é só comédia que sabemos fazer. (Será mesmo que se as abelhas sumirem, vamos sumir também?). 

O filme passa a encantar quando Bruno (Fábio Porchat), que acabou de terminar um relacionamento, percebe que as pessoas da sua vida começam a desaparecer, pois é... Começam a sumir pessoas das fotografias, da sua empresa, amigos, conhecidos, enfim. Bruno, obviamente se desespera e começa a achar que está "maluco", procurando até mesmo um terapeuta. Bruno tem  muita ajuda da sua mãe para lidar com o que se passa.

O filme é produzido por parte da equipe do Porta dos Fundos, e nos primeiros minutos do mesmo, mostra algumas cenas com comédias simples, mas que é capaz de nos proporcionar algumas risadas. A trama, conforme se estabelece, vai adotando cada vez mais um clima pesado, tenso, te mostrando que não é mais um besterol que você está acostumado a assistir. 

Analogia: Não é a primeira vez que escrevo aqui sobre depressão, e esse filme mostra de uma perspectiva diferente e interessante o que acontece com um indivíduo que passa por essa patologia. As pessoas somem, por que como no transtorno, o sujeito passa a afastar cada indivíduo de seu convívio e pior, não entende nada e não sabe o que fazer. Isso também fica claro quando as pessoas que vão sumindo são as que ele tem pouca ligação emocional, logo, os últimos que vão sobrando são sua Mãe, o colega do Trabalho, e a Ex-namorada, que já no final também passam a desaparecer. 

A causa estopim da depressão de Bruno é provavelmente o término do seu relacionamento, mas é importante entender que o sujeito pode se tornar depressivo por uma infinidade de contingências, um mais provável conjunto de fatores. A depressão é exatamente como retratada no filme, como já dito, o individuo não entende o que acontece, as pessoas passam a não fazer mais parte de sua vida, e cada vez mais se isola do mundo, deixando de sair com amigos e em casos mais graves até mesmo se deixa de ir trabalhar. 

O final deixa aberto para uma interpretação subjetiva, porém, ele é claro em demonstrar o que aconteceu com o Bruno. Nos últimos instantes ele encontra uma fotografia que sumiu quase todo mundo, menos uma última pessoa, lá no cantinho, uma prostituta. É nesse mesmo instante que o filme acaba, mas não acaba, sei lá... Nos créditos, de uma forma maestral, começa-se a tocar a música "I Can See Cleary Now" do Jimmy Cliff  que para aqueles mais atentos, esse mero "detalhe" esclarece todo o filme e a letra chega a arrepiar.

Essa nova gama de ator@s e diretor@s estão de parabéns por incluir no catálogo Brasileiro uma obra de respeito e de deixar a velha produção global ou comediante no chinelo. 

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