2 de agosto de 2015

Ateísmo (Como me tornei ateu?) - Parte 1


Muitas pessoas ultimamente tem perguntado qual seria a razão de ter me tornado ateu. "O que me levou a decidir isso?" "Algo ruim teria acontecido comigo?"... Enfim, muitas perguntas relacionadas a respeito disso. Decidi então resumir todo esse processo nesse "textinho" para que você tenha uma ideia. É importante primeiramente deixar claro, que tudo foi uma gama de acontecimentos, escolhas, decisões e pensamentos, é complexo e é algo que você vai se descobrindo. Esse processo pode até levar anos.  Vamos lá!


Bem, antes de tudo, Ateísmo é a descrença em divindades! (para ateus, não existe qualquer tipo de ser divino). É só isso, bem simples, não confunda com mais nada, tranquilo?

Importante lembrar também que não falarei aqui da moral ateísta, isso é assunto para o próximo texto, pois se não ficaria muito extenso. Estou citando essa questão por que muitos me perguntam também se sou capaz de fazer qualquer coisa, acham que sairei por aí matando pessoas só por que não temo o inferno ou ao seu deus. Para vocês, essa dúvida será tirada na parte II.

Eu fui criado no contexto totalmente cristão, meus pais sempre me passaram todos aqueles conceitos envolvidos principalmente ao catolicismo. Ao meu ver, nós todos já nascemos ateus, nossos pais e a sociedade como um todo, são os únicos culpados ou responsáveis por nos introduzirem essas fantasias, e preconceitos. Se livrar disso é algo cansativo e doloroso, você pode perder namoradas (como eu), amigos, e até sua família pode passar a te tratar diferente, o que pode gerar muito sofrimento. 

Fui religioso fervoroso, e até me tornei evangélico. Era ruim? Não! Eu gostava muito, e conheci muitos pessoas interessantes por lá, parecia perfeito, e estava lutando para separar meu lugar lá no céu. E o que deu errado?

Na verdade, foi o que deu certo. Imagino que isso começou por gostar muito de ciência, quando criança (e até hoje) sempre me maravilhei com aqueles documentários sobre o planeta Terra e Universo, e foi exatamente nessa época que conheci Carl Sagan (o senhor da foto acima), um dos grandes contribuintes do meu pensamento crítico. 

Ainda muito novo, acredito que por volta dos 12 anos mais ou menos, fui apresentado a um novo conceito, totalmente adorável, o método científico! De uma forma simples e em linguagem que considero até hoje leiga sobre a complexidade do assunto, o método científico baseia-se no teste e reprodução do fenômeno para avaliar a veracidade do mesmo. Um exemplo bem simples: se eu faço a afirmação que a água molha qualquer tecido comum, você aí em sua casa pode ser capaz de pegar um copo d’água e jogar em um tecido e perceber que isso realmente acontece (o tecido fica molhado), e mais, tanto você quanto qualquer pessoa que tenha tecido e água, podem fazer esse experimento e perceber que isso realmente acontece, ou seja, essa afirmação não é falsa (falseabilidade), logo é conhecido cientificamente que a água molha qualquer tecido comum. Não que o conceito já estivesse assim bonitinho na minha cabeça, é a construção de pensamentos que vai se formando algo cada vez mais lógico. Bem, isso começou a me colocar numa posição de julgamento sobre o que me falam, sobre informações, assuntos, bíblia... E foi pilar fundamental para me tornar ateu. Lembro obviamente que o método científico não é perfeito, ele é apenas a maneira mais eficiente de avaliarmos a realidade. 

Mas deus não é capaz de ser submetido ao método científico, não podemos avaliar as frases: Deus existe, ou Deus não existe! A falseabilidade não é aplicável a ele, logo, cientificamente falando, deus não pode ser provado e nem não-provado. E o que temos então? O que acontece com Deus é o que chamo de princípio de realidade (não confundir com o termo psicanalítico), que parte do método científico, exemplo: eu posso afirmar para você agora mesmo que escrevi todos os textos da minha vida com a ponta do meu nariz! O que você acha? Essa ideia é muito absurda, é praticamente impossível, e em toda história da humanidade é provável que não vá existir nunca alguém que faça isso, (mesmo alguém que não tenha membros, é provável que usasse outra forma de escrever, e não o nariz). Mas por acaso você tem provas de que não escrevi esses textos com o nariz? Sei que você não tem, mas, mesmo não tendo prova nenhuma, só por isso então você vai acreditar que fui capaz de escrever tudo com o nariz? Ai você escolhe! Falta de evidências baseadas na realidade, torna algo muito improvável de existência. Esse é um princípio complicado, e você deve ter muito cuidado ao utiliza-lo. Não há avaliação científica, existe apenas o juntar de todas as contingências que se tem ideia, e mesmo sem poder testa-las, julgar a veracidade dos relados com base na sua realidade. Claro, esse exemplo foi bem absurdo, mas ideia de deus também é. Nesse parágrafo eu teria que explicar para você entender melhor o que seria o Ceticismo, e o conceito de ser Agnóstico, mas isso também ficará para algum próximo texto.

Esse pensamento não só foi me transformando em ateu, como também me fez parar de acreditar em várias mitologias ou pseudociências, tais como: astrologia, homeopatia, psicanálise, vampiro, mula sem cabeça, deus... tudo no mesmo saco.

Tem também as contradições da bíblia, mas eu descobri muitas de suas palavras sem nexo ainda quando era religioso, e mesmo assim ainda insistia nas minhas fantasias, logo, concluo que encontrar discordância numa ideia, não necessariamente te fará desistir dela. (Já disse que tem uma passagem do unicórnio na bíblia? Procura aí).

A ideia de deus é absurda se você racionalizar com base em variáveis da realidade, mas como disse antes, por enquanto a ciência não diz se ele existe ou não, e a comunidade científica nem ao menos está preocupada com isso. Deus não é assunto da ciência, por isso, caso você seja um religioso que lê esse texto, não estamos interessados em provar ou "desprovar" nada em relação a sua religião.

Bem, tentei resumir o texto todo para não se tornar maçante (acho que ficou maçante mesmo assim). Tem muitas mais questões que levam aos poucos ao ateísmo que tentarei levantar no próximo texto. Qualquer dúvida a mais, basta me perguntar, meu contato você encontra por aí.


Mais informações:
Wikipédia - Definição Agnosticismo 
Definição Falseabilidade
Definição Ceticismo